Um dos temas mais abordados durante a última edição da 90ª edição da Assembleia da Convenção Batista Brasileira (CBB), realizada entre os dias 22 e 26 de janeiro em Cuiabá, foi o da Responsabilidade. A atuação social dos batistas brasileiros foi destacada por autoridades estatais, pela imprensa local e foi o assunto de um evento especial que antecedeu a Assembleia.
Tendo como tema “A Convenção Batista Brasileira e a Responsabilidade Social”, aconteceu no dia 21 de janeiro o Encontro Nacional Batista Brasileiro de Ação Social.
Um dos preletores do evento foi o Coordenador do Departamento de Ação Social (DAS) da Convenção Batista Brasileira, Mark Greenwood, que disse que uma das causas da desigualdade social é o pecado, “que leva o ser humano a deixar de ser justo e amoroso”.
No entanto, ele defendeu uma forte atuação social da igreja, motivada pelo fato de o ser humano ser feito à imagem e à semelhança de Deus.
Segundo o coordenador do DAS, esta ética de Cristo faz com que “todo ser humano, crente ou não, deva ser justo e amoroso”.
Também participaram do evento a administradora especialista em Responsabilidade Social e terceiro setor Marianne Cerqueira, que atuou como mediadora do encontro, e a gerente executiva de Ação Social da Junta de Missões Nacionais, Alice Carolina Barbosa.
Marianne afirmou que considerou o evento muito positivo: “Gostei muito por conta da participação. As discussões variaram entre necessidades da própria igreja e questões políticas de como a denominação poderia contribuir com a sociedade”.
“Precisamos liberar o potencial transformador das igrejas”
Apesar de ter acabado de assumir a coordenação do Departamento de Ação Social (DAS) da Convenção Batista Brasileira, o pastor inglês Mark Greenwood sabe muito bem quais são os passos necessários para que os batistas brasileiros possam expressar sua responsabilidade social de forma ainda mais relevante.
Greenwood, que já atuava na mesma área no estado do Ceará, concedeu esta entrevista exclusiva a O Jornal Batista após participar da 90ª Assembleia da CBB.
O Jornal Batista - Você chega ao Departamento de Ação Social (DAS) com qual expectativa?
Mark Greenwood - A nossa meta, em termos amplos, é que toda igreja da Convenção tenha um impacto transformador na vida social da comunidade onde ela se encontra, seguindo o exemplo do ministério de Jesus e da igreja do Novo Testamento. Entretanto, como um departamento, existem passos organizacionais que precisamos tomar para alcançar o alvo. Até agora o departamento de ação social tem funcionado em regime de voluntariado, em tempo parcial. Assim, necessitamos construir, junto com o Conselho da CBB, as convenções estaduais e outros órgãos da Convenção, relacionamentos e sistemas de trabalho que liberem o potencial transformador que existe nas igrejas. São muitas as igrejas e convenções já engajadas em ações na sociedade. Entretanto, normalmente de uma maneira isolada. Juntando as experiências e visões, podemos multiplicar o impacto e encorajar os que ainda não atuam na área social a se envolverem com esta obra.
OJB - Qual a sua avaliação da participação do DAS na Assembleia da CBB?
Greenwood - Foi boa. Tivemos o Encontro Nacional de Ação Social, com a presença de convencionais dos quatro cantos do Brasil. Após uma exposição da irmã Alice, gerente de Ação Social da JMN, discutimos o que significa, em termos práticos, a responsabilidade social da Convenção Batista Brasileira e como viabilizar os objetivos do Departamento de Ação Social. Já a Câmara de Ação Social estava lotada. Sob a competente presidência do professor Valceni Braga (MG), foram encaminhadas importantes decisões para o plenário da Assembleia.
OJB - Que passos foram dados para a realização de um trabalho mais efetivo dos batistas nesta área?
Greenwood - A existência de um departamento em pleno funcionamento é o primeiro destes passos. A Câmara também deu um bom direcionamento, determinando a meta de estudar a formação de uma Coordenadoria de Ação Social, ou algo similar, em cada Convenção estadual onde ainda não exista uma estrutura como esta. A área de comunicação também será chave. Foi decidido encaminhar artigos mensalmente a OJB para a divulgação da Ação Social na denominação, como também realizar campanhas de conscientização, tendo foco nesse ano a questão das eleições para o poder legislativo. O mais importante, porém, são os contatos pessoais que a Assembleia propicia, que fomentam ideias, agendas e ações ao longo do ano.
OJB - Na sua percepção, que princípios devem nortear um trabalho profícuo na área de Ação Social?
Greenwood - Espelhar o ministério de Cristo por completo na nossa missão e ministérios, amar como Ele amou, amar a Deus com todo coração, alma, mente e forças. Amar ao próximo como a si mesmo. Nunca considerar-se melhor ou superior ao público-alvo das suas ações sociais, mas valorizar todo o potencial dele para participar na busca das soluções. Focalizar na força do economicamente pobre e não na sua pobreza. Reconhecer que a desigualdade social é resultado do pecado da ganância e que às vezes este também está presente nas igrejas, fato do qual precisamos nos arrepender.
OJB - Diante disto, considerando o atual panorama, quais os maiores desafios?
Greenwood - Construir uma visão e ação conjunta junto às igrejas e convenções.
FÁBIO AGUIAR LISBOA
Editor de OJB
Fonte:
Convenção Batista Brasileira